Documentário sobre dança em Muriaé disponível online
- Filmes do Mato

- 29 de abr.
- 2 min de leitura
O que pode um corpo em uma cidade?
Essa pergunta atravessa Eu sou um corpo no mundo, documentário dirigido por Bruna Schelb Corrêa e produzido por Aline Andrade, que parte da dança para construir um olhar sensível sobre presença, memória e pertencimento em Muriaé, Minas Gerais. Mais do que registrar a importância da dança na cidade, o filme se interessa por aquilo que ela provoca: encontros, trajetórias e formas de existir no mundo.

Realizado em 2024 a partir do encontro com artistas, professores e agentes culturais locais, o documentário se constrói como um mosaico de vozes e experiências. Ao longo de seus 31 minutos, diferentes histórias revelam como a dança atravessa vidas, não apenas como prática artística, mas como ferramenta de expressão, formação e transformação.

Entre entrevistas e momentos performativos, o filme se afasta de uma abordagem puramente informativa para apostar em uma construção sensorial. Os corpos em movimento não ilustram discursos: eles também falam. A dança aparece, assim, como linguagem — uma forma de pensamento que se manifesta no gesto, no ritmo e na presença.

Esse olhar é resultado de um processo profundamente coletivo. A pesquisa e produção de Aline Andrade, em diálogo direto com a cidade, estabelece as bases para que o filme não seja um retrato externo, mas uma construção enraizada no território. A direção de fotografia de Luis Bocchino e a montagem assinada em parceria com a direção reforçam essa proposta, criando uma narrativa que transita entre o íntimo e o coletivo.

O trabalho de som, conduzido por André Medeiros, amplia essa experiência ao valorizar a materialidade dos corpos, respirações, deslocamentos, texturas, compondo uma camada sensorial que vai além da imagem. Já a finalização, com colorização de Caio Deziderio e design da Inhamis, contribui para a unidade estética do filme.

Ao reunir nomes importantes da dança muriaeense, como Valéria Bruno, Janaína Frade, Diones D’ Castro, Marcos Valério, Nadimara Mello e Maria Gabriella Soares, o documentário constrói uma memória viva da dança na cidade, não como um registro definitivo, mas como um recorte possível, atravessado por afetos e experiências.

Agora, o filme amplia seu alcance e chega ao público online, disponível gratuitamente no YouTube. Depois de sua exibição em Muriaé, em parceria com o Cine Veredas durante o mês da dança, Eu sou um corpo no mundo segue seu percurso convidando novos olhares e encontros.

Mais do que um filme sobre dança, trata-se de um filme sobre o que o corpo é capaz de criar quando encontra espaço, escuta e presença. Um filme sobre estar no mundo, e sobre tudo aquilo que pode emergir desse gesto.
Link direto para o filme:


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